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Auditoria: Serviços de auditoria e asseguração na prática

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O QUE É AUDITORIA?              1

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

 

 

OA1.1 Descrever a auditoria e explicar sua importância.

OA1.2 Explicar as características singulares da profissão de auditor.

OA1.3 Compreender o incentivo da administração volta- do para distorções nas demonstrações financeiras.

OA1.4 Explicar o papel do auditor no processo de gover- nança corporativa.

OA1.5 Descrever as normas de auditoria.

OA1.6 Explicar as exigências das normas de auditoria quanto às evidências.

OA1.7  Compreender como o auditor usa os processos de negócio para estruturar a forma de obter evidências.

OA1.8 Explicar como as asserções da administração so- bre as demonstrações financeiras são usadas no processo de auditoria.

OA1.9 Descrever o relatório de auditoria.

OA1.10 Identificar as agências reguladoras de contabilida- de e descrever suas funções.

 

NORMAS DE AUDITORIA RELEVANTES PARA ESTE TÓPICO

Para empresas de capital fechado

  • Normas de auditoria emitidas pelo Comitê de Normas de Auditoria do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA).

Para empresas de capital aberto

  • Normas de auditoria emitidas pelo Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (PCAOB).
  • Normas de auditoria emitidas pelo Comitê de Normas de Auditoria do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados que não foram suplantadas ou emendadas pelo Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (PCAOB).

Normas internacionais

  • Normas de auditoria emitidas pelo Conselho Internacional de Normas de Auditoria e Asseguração da Federação Internacional de

 

OA1.1 Descrever a auditoria e explicar sua importância.

Auditoria e sua importância

O que é o processo de auditoria? Qual o seu propósito para a sociedade? Qual papel a auditoria desempenha na governança corporativa? Por que esse processo é tão importante? Ao come- çarmos o estudo da auditoria, essas são perguntas essenciais a

que precisamos responder. A menos que compreendamos o papel singular que a audi-

 

 

toria desempenha em nossa sociedade para a empresa contemporânea e o público, não valorizaremos a importância das várias normas de auditoria quando discutirmos prin- cípios, regras e a prática profissional.

Auditoria é o processo de revisão das informações financeiras preparadas pela administração de uma empresa (as demonstrações financeiras e as notas explicativas) para definir se elas estão em conformidade com determinada estrutura (a estrutura de relatório financeiro aplicável). O profissional que realiza a avaliação segue uma série de normas (as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas). A equipe que conclui- rá a avaliação não é formada por funcionários da empresa, mas trabalha para uma firma de contabilidade,* cuja única associação com a empresa é ter sido contratada para realizar uma auditoria (independente da empresa auditada). Essa equipe, contra- tada para avaliar as demonstrações, deve verificar a veracidade e a completude das decisões registradas pela empresa de modo que entidades externas à administração da empresa auditada – como banqueiros, acionistas atuais ou potenciais ou agências reguladoras – tenham informações precisas para tomar suas decisões de mercado. Os auditores que realizam a avaliação prestam um serviço valioso; na verdade, um servi- ço fundamental. Sem tal avaliação, as entidades externas à empresa seriam forçadas a confiar somente nas informações fornecidas pela própria administração das empre- sas. Mesmo sem a intenção deliberada de ludibriar as entidades externas, os executi- vos da empresa tendenciosamente são mais otimistas quanto à situação de sua empre- sa do que as entidades externas talvez pudessem ser. Você emprestaria dinheiro ou compraria ações de uma empresa com base somente no quadro otimista que a admi- nistração apresenta sobre seu desempenho? Você confiaria em relatórios financeiros que usam seu “ponto de vista otimista” para divulgar todas as informações sem ne- nhuma verificação ou revisão independente?

A relação entre a firma de auditoria e a empresa cliente pode ser descrita com base

na estrutura da relação entre principal e agente, que, nesse caso, trata-se dos acionistas e da administração da empresa, respectivamente. Essa relação existe porque os proprie- tários da empresa (os principais) não estão envolvidos no dia a dia de sua administra- ção: os acionistas contratam um agente (a administração), com maior conhecimento sobre as operações diárias da empresa, para dirigi-la e tomar as decisões referentes à sua administração. Para isso, os acionistas gostariam que os administradores divulgas- sem corretamente o que sabem, o que os faz contratar um auditor para aumentar a confiabilidade de que as demonstrações financeiras estejam corretas. Saber que um auditor avaliará as demonstrações financeiras aumenta as chances de a administração prepará-las em conformidade com as normas contábeis, já que caberá ao auditor deter- minar se a administração cumpriu tais exigências. As entidades externas se beneficiam quando os acionistas contratam um auditor para proteger seus interesses na empresa e as informações disponíveis a elas, validadas pela auditoria, são mais confiáveis perante as normas de contabilidade financeira.

O processo de governança corporativa deve proteger as entidades externas de de-

monstrações financeiras distorcidas. Os auditores realizam um importante trabalho nesse processo porque seu papel como profissionais treinados e independentes da em-

* N. de R.T.: No Brasil, utiliza-se o termo “firmas de auditoria”, o que as distingue dos escritórios de conta- bilidade, que não têm como atividade principal a de auditoria independente. Doravante, utilizaremos “firma de auditoria” para o significado de “firma de contabilidade” usualmente empregado no idioma inglês.

 

 

presa é singular na governança corporativa: como são independentes, os auditores se encontram em uma posição perfeita para emitir uma opinião de que as demonstrações financeiras que a administração apresenta foram ou não preparadas de acordo com uma estrutura de relatório financeiro aplicável. As entidades externas têm confiança razoá- vel na opinião de um profissional independente, mas não poderiam confiar na opinião de um que não fosse independente. A revisão do auditor independente não é necessa- riamente uma avaliação pessimista, mas provavelmente será menos otimista do que a da administração, já que é emitida por alguém externo à empresa e sem nenhuma rela- ção (de propriedade, financeira ou empregatícia) com ela. O auditor apresentará um quadro imparcial da conformidade ou não conformidade da empresa com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

O sistema de mercados de capitais nos Estados Unidos e no resto do mundo depen- de de informações precisas. Se os auditores não realizarem bem seu trabalho, as entida- des externas serão prejudicadas, pois elas tomam decisões sobre as empresas com base nas informações divulgadas, ou seja, se estas estiverem erradas, provavelmente as deci- sões também estarão. Por exemplo, banqueiros poderiam emprestar dinheiro quando não deveriam ou conceder empréstimos por taxas de juros mais baixas do que seria apropriado se estivessem a par das informações corretas. Investidores poderiam deixar de vender ou comprar ações de uma empresa quando o fariam se tivessem as informa- ções que representam a posição financeira da empresa de maneira adequada.

Se os auditores não realizarem bem o seu trabalho, ninguém mais o fará. As de- monstrações financeiras de empresas de capital aberto são arquivadas junto ao Conse- lho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (Public Company Accounting Oversight Board – PCAOB) e à Comissão de Valores Mobiliários (Securities and Exchange Commission – SEC), nos Estados Unidos, mas nenhuma dessas organi- zações realiza auditoria de informações (exceto para revisar as demonstrações).* Já as de empresas de capital fechado são simplesmente entregues aos proprietários e não são revisadas por nenhuma outra fonte externa. Para todos os fins práticos, os auditores não “passam a responsabilidade adiante” para ninguém, então, se deixarem de fazer bem o seu trabalho, sua falha terá sérias implicações sobre as decisões tomadas por entidades externas.

 

OA1.2 Explicar as características singulares da profissão de auditor.

Características singulares da profissão de auditor

A profissão de auditor oferece uma ampla variedade de oportu- nidades de emprego para contadores recém-formados. A maio- ria das firmas de auditoria oferece serviços a clientes nas áreas de auditoria, impostos e consultoria, para as quais um contador recém-formado poderá ser contratado para trabalhar. Este livro

  • de R.T.: No Brasil, ainda não temos a figura de um organismo normalizador semelhante ao PCAOB. Entretanto, as empresas de capital aberto, por força da legislação societária (Lei n. 6.404/76 e Lei n. 11.941/2009, por exemplo), são obrigadas a arquivar, na Comissão de Valores Mobiliários e na bolsa de valores em que suas ações são negociadas, as demonstrações financeiras (anuais e trimestrais), acompanhadas do Relatório dos Auditores Independentes. Essa obrigatoriedade de arquivamento das demonstrações financeiras auditadas também se aplica para as instituições financeiras e entidades equiparadas, para entidades de seguros privados e outras, junto aos seus organismos reguladores (Bacen, Susep etc.).

 

 

descreverá o trabalho de um contador da área de auditoria. Porém, mesmo nessa área específica, esse profissional pode trabalhar para diversos clientes, entre eles empresas de capital aberto ou de capital fechado, clientes na área bancária ou nas áreas de segu- ros, produção industrial, tecnologia, varejo, saúde ou o governo. Além disso, os conta- dores que trabalham na área de auditoria podem também passar a maior parte de seu tempo prestando serviços de auditoria interna a clientes em vez de trabalhar como au- ditores externos. Trabalhar em qualquer uma das áreas de uma firma de auditoria pode ser um dos empregos mais exigentes que você pode ter, mas também é uma das expe- riências mais interessantes e estimulantes e uma excelente maneira de se preparar para trabalhar no mundo corporativo. Trabalhar como contador público certificado* – CPA (Certified Public Accountant) – ampliará muito as oportunidades de carreira no caso de desistência da área de auditoria independente por outras áreas de atuação.

As firmas de auditoria são estruturadas como parcerias ou sociedades com respon- sabilidade limitada, ou seja, nesse tipo de empresa o profissional possui responsabili- dade pessoal pelas decisões tomadas ali (o que difere da forma de organização corpora- tiva, em que ninguém possui responsabilidade pessoal pelas decisões da empresa). Há quatro grandes firmas de auditoria (as chamadas big four) no mundo – KPMG, Ernst & Young, Deloitte & Touche e PricewaterhouseCoopers –, as quais têm escritórios na maioria dos estados dos Estados Unidos e em muitos outros países. As big four realizam a auditoria da maioria das empresas de capital aberto listadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos. Contudo, há também firmas de auditoria regionais com escritórios em diversas cidades e muitas firmas de auditoria menores que podem ter apenas um escri- tório.** Os Estados Unidos geralmente são chamados de o país mais litigioso do mundo, isto é, o auditor corre mais riscos de ser processado lá do que em qualquer outro país quando entidades externas acreditam terem sido prejudicadas pelas informações divul- gadas nas demonstrações financeiras (quando, posteriormente, constata-se que elas apresentavam distorções).

Os auditores trabalham em muitos lugares além de nas firmas de auditoria. Há au- ditores governamentais, fiscais (trabalhando tanto para o governo quanto para as esta- tais) e internos, que trabalham nas firmas. Há uma ampla variedade de lugares em que o auditor pode atuar e ele, inclusive, pode escolher entre firmas grandes ou pequenas. Geralmente, dizemos que os auditores prestam serviços de auditoria e asseguração.

Isso significa que, na função de auditoria, os auditores prestam uma diversidade de ser- viços, que envolvem avaliar se as demonstrações financeiras estão apresentadas em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Este livro concentra-se na função de auditoria dos auditores, que podem também prestar serviços que não

* N. de R.T.: Nos Estados Unidos, o auditor independente é denominado Contador Público Certificado (CPA). No Brasil, muito embora não haja ainda um processo de certificação similar, foi criado, pelo Conselho Federal de Contabilidade, o Cadastro Nacional dos Auditores Independentes (CNAI), que permite que os bacharéis em Ciências Contábeis se cadastrem, após prestar exames de qualificação técnica. Apenas os auditores cadastra- dos no CNAI estão habilitados a emitir relatórios de auditoria sobre demonstrações financeiras de empresas abertas, instituições financeiras e equiparadas, sociedades de seguro privado e outras entidades cujos órgãos reguladores assim determinam.

** N. de R.T.: As firmas de auditoria conhecidas como big four também atuam fortemente no Brasil. Outras firmas de auditoria, além das quatro maiores, internacionais ou nacionais que atuam no Brasil, são: BDO; Grant Thornton; Boucinha & Campos; Directa; entre outras.

 

 

abrangem a análise de um conjunto completo de demonstrações financeiras ou a emis- são de uma opinião sobre elas. Por exemplo, todo ano, a firma de auditoria Pricewa- terhouseCoopers confere um certificado aos vencedores de prêmios do Oscar. Nesse caso, um auditor presta um serviço de asseguração, e não um serviço de auditoria. Os indicados para os vários prêmios têm mais confiança no processo que determina os vencedores quando uma fonte externa e independente está envolvida na apuração dos resultados. Os outros serviços prestados por uma firma de auditoria (que não envolvem impostos ou consultorias) são chamados de serviços de certificação, para os quais o audi- tor certifica ou atesta a exatidão de algum tipo de informação. As normas de certifica- ção fornecem ao auditor diretrizes para a prestação de tais serviços. Alguns dos serviços que são regidos pelas normas de certificação são relatórios sobre (1) descrições de sis- temas de controles internos, (2) conformidade com exigências estatutárias, regulatórias e contratuais e (3) estatísticas de desempenho de investimentos. O resultado dos servi- ços de certificação não é a emissão de uma opinião, em vez disso, o auditor emite um relatório assinado com as informações solicitadas pelo contratante.

Como seria a sua vida se você trabalhasse em uma firma de auditoria? Certamente estimulante, ocasionalmente tediosa e, às vezes, estressante devido aos prazos e à constante pressão para concluir uma auditoria, uma declaração de imposto de renda ou um trabalho de consultoria dentro do prazo e das horas dedicadas ao trabalho. Um aspecto singular dessa profissão é sua política de promoções, já que os auditores, em geral, são promovidos todos os anos, passando a assumir cargos novos com responsa- bilidades maiores. A evolução na profissão depende do constante influxo de novos funcionários (auxiliares de auditoria) nos níveis de execução para realizar muitas tare- fas de auditoria diárias. São necessários menos administradores e sócios em um nível superior para revisar o trabalho da equipe de execução e o auditor raramente se ente- diará e constantemente se sentirá desafiado. Se esses fatores lhe parecem atraentes, então considere fazer parte desse grupo de profissionais responsáveis, para as entida- des externas, pelas informações usadas no mundo dos negócios na tomada de impor- tantes decisões sobre as empresas.

 

OA1.3 Compreender o incentivo da administração voltado para distorções nas demonstrações financeiras.

Incentivo da administração voltado para distorções nas demonstrações financeiras

Para ser um bom auditor, é importante que o profissional com- preenda o incentivo da administração voltado para distorções nas demonstrações financeiras. A compreensão de como a ad- ministração ganha ao registrar de maneira distorcida certas transações facilita o planejamento da auditoria para que ela de- dique maior tempo para as transações que apresentam mais

chances de estar erradas do que outras. As áreas em que a administração tem mais chances de gerar distorções nas transações são mais arriscadas para o auditor porque se este deixar de corrigi-las, poderá emitir uma opinião sem ressalvas sobre demonstra- ções financeiras, as quais, na verdade, apresentam distorções relevantes. Isso daria ao mercado a visão de que as demonstrações financeiras estão apresentadas de maneira adequada e em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável quando, na verdade, podem não estar.

 

 

A administração de empresas de capital aberto prefere uma receita líquida mais alta a uma mais baixa. A receita líquida pode ser aumentada por meio da redução das despesas ou do aumento das receitas. Vários métodos, como registrar receitas fictícias e deixar de registrar despesas no final do exercício social, geram esse aumento, permitindo que a empresa divulgue uma receita líquida mais alta. O aumento nas receitas também é um importante fator para muitas empresas de capital fechado, uma vez que, nessa situação, os administradores mostram que as receitas aumentaram em relação ao exercício social mesmo que a receita líquida não tenha aumentado. O resultado desejado em muitas empresas é que as receitas e, possivelmente, a receita líquida, aumentem a uma taxa pelo menos igual ao aumento do exercício social anterior e, se possível, a uma taxa maior. O usuário externo, particularmente os acionistas, espera esse nível de crescimento e, se as empresas deixarem de alcançar essas metas, o preço de suas ações pode cair quando os investidores, por esse motivo, venderem suas ações e investirem em outras empresas que consigam alcançar o nível de crescimento desejado.

O principal motivo pelo qual as distorções nas demonstrações financeiras ocorrem é evitar que o preço das ações caia. Os investidores reagem de forma desfavorável quan- do as empresas divulgam números menores de receitas ou da receita líquida do que os do ano anterior. Os analistas de mercado de empresas de investimento fornecem acon- selhamento em relação às ações das empresas e geram expectativas de lucros trimes- trais por ação para aquelas que eles acompanham. Se uma empresa não alcançar essas metas de lucros, mesmo que por um centavo, o preço de suas ações provavelmente cairá. Essa queda é ruim para a empresa de maneira geral e, muitas vezes, para seus administradores, pois geralmente eles têm opções de ações da empresa em seu pacote de remuneração ou detêm ações da empresa em suas carteiras de investimentos. Por seu fator prejudicial, a queda nos preços das ações deve ser evitada, se possível.

Como uma empresa pode evitar uma queda no preço de suas ações? Se as receitas não tiverem aumentado e a receita líquida for menor no exercício social corrente em relação ao anterior, uma maneira de fazer isso é manipular as demonstrações financei- ras. É tarefa do auditor obter evidências suficientes e avaliar com ceticismo técnico as decisões que a administração tomou ao preparar as demonstrações financeiras. Antes de emitir uma opinião sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras de seu cliente, o auditor deve certificar-se de que as evidências obtidas durante a auditoria comprovam a avaliação de que as demonstrações financeiras foram preparadas por meio de uma estrutura de relatório financeiro aplicável.

Os incentivos para manipular as demonstrações financeiras das empresas de ca- pital fechado podem ser completamente diferentes dos incentivos das empresas de capital aberto. A administração de empresas de capital fechado pode preferir uma recei- ta líquida mais baixa a uma receita líquida mais alta para reduzir sua carga tributária, melhorando, assim, seu fluxo de caixa. Ou pode preferir uma receita líquida mais alta para demonstrar crescimento nos lucros e conseguir um empréstimo bancário. Com- preender os incentivos da empresa para gerar distorções nas demonstrações financeiras é parte importante do processo de auditoria. É fundamental para o auditor identificar as contas das demonstrações financeiras que apresentam maior potencial para distorções e criar procedimentos de auditoria para determinar se as contas foram apresentadas de maneira adequada e em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

 

 

OA1.4 Explicar o papel do auditor no processo de governança corporativa.

Papel do auditor no processo de governança corporativa

Os auditores desempenham um papel essencial na empresa e na sociedade. Nesse sentido, como consequência de falhas re- centes em auditorias, a profissão contábil vem perdendo repu- tação diante do público. Porém, mesmo tendo em mente tais escândalos empresariais, você deve perceber que essa profissão

está se reformando. Isso é uma boa notícia. A visão do público em relação à profissão faz os auditores se tornarem mais cuidadosos e eficientes nas tarefas fundamentais de seu trabalho diário. O valor de uma divulgação financeira clara e precisa e o fato de o auditor ser responsável pela garantia de que as informações contidas nas demonstrações financeiras sejam consistentes com as regulamentações contábeis para com o usuário externo nunca foram tão importantes quanto no ambiente empresarial da atualidade.

Os auditores exercem um forte poder de negociação junto à administração. Os altos custos financeiros e sociais das falhas em auditorias refletem tanto o interesse público quanto a necessidade da empresa. A credibilidade reforçada pela auditoria para os pro- fissionais que utilizam as informações constantes nas demonstrações financeiras serve como prova de que o processo de apuração contábil não é meramente um recurso de marketing “chamariz”, mas que representa um valor inestimável para o público. O im- pacto negativo das falhas em auditorias – a perda da confiança do público e dos inves- tidores – é aparente para aqueles que observam a profissão.

Escândalos nos últimos anos demonstraram a vulnerabilidade das empresas e o alto custo de falhas em auditoria. Em 2002, a falha de auditoria da Arthur Andersen, suas batalhas jurídicas e a perda de sua reputação no mercado resultaram no fechamento da empresa. Tal fato talvez não fosse de interesse geral da sociedade ou mesmo dos muitos sócios desta firma de auditoria, mas a reputação abalada da Arthur Andersen com o episódio e sua condenação criminal relativa à auditoria da Enron levaram, inevitavel- mente, à dissolução da firma.

As firmas de auditoria não vendem um produto, mas prestam um serviço. Elas não têm nada a oferecer exceto a qualidade do serviço que prestam e sua imagem de integridade. Quando a reputação de uma firma de auditoria é abalada, seus profissio- nais pouco têm a oferecer aos seus clientes. Em 2002, depois do escândalo da Enron, quem apostaria em emitir ações com o nome da Arthur Andersen em suas demons- trações financeiras?

Diante das inúmeras mudanças no meio, o profissional enfrenta o desafio de apren- der novas regras e desempenhar novos testes de controles internos. As agências regula- doras federais e estaduais e as entidades externas interessadas acompanharão os audi- tores no desempenho de suas obrigações profissionais cada vez mais de perto com atenção sobre a responsabilidade do auditor por determinar se as demonstrações finan- ceiras representam de maneira adequada a posição financeira da empresa e os resulta- dos de suas operações. Espera-se que os auditores encarem uma auditoria com uma mente independente e reconheçam que são contratados para proteger os interesses das entidades externas. Ao estudar sobre auditoria, você tem que compreender a importân- cia de apresentar informações imparciais a essas entidades externas, além de evitar conflitos de interesse, o que implica o surgimento deles, enquanto realiza o seu traba- lho. Esta é uma época estimulante e desafiadora para se iniciar nessa profissão.

 

 

OA1.5 Descrever as normas de auditoria.

Normas de auditoria

Três organizações normativas estão envolvidas no estabeleci- mento de normas de auditoria:*

  • O Comitê de Normas de Auditoria (Auditing Standards Board – ASB) do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (American Institute of Certified Pu- blic Accountants – AICPA).
  • O Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (Public Company Accounting Oversight Board – PCAOB).
  • O Conselho Internacional de Normas de Auditoria e Asseguração (International Au- diting and Assurance Standards Board – IAASB) da Federação Internacional de Con- tadores (International Federation of Accountants – IFAC).

 

Comitê de normas de auditoria

O ASB, formado em 1978 como um comitê do AICPA, é um comitê de 19 membros composto de: 5 membros de firmas locais, regionais e que não sejam uma das big four; 5 membros nomeados pela Associação Nacional de Conselhos Estaduais de Contabilidade dos Estados Unidos (National Association of State Boards of Accountancy – NASBA); 4 membros das firmas de auditoria chamadas de big four; e 5 membros de grupos de usuários e do público. O ASB tem autorização para emitir normas de auditoria relativas ao desempenho da auditoria e relatórios de auditoria para empresas de capital fechado, também chamadas de empresas não emissoras de ações.

A Regra 202 do Código de Conduta Profissional do AICPA autoriza o ASB a redigir regulamentações de auditoria. Essa regra exige que os membros do AICPA que prestam serviços profissionais cumpram as normas do ASB. Se não acatá-las, os auditores viola- rão o Código de Conduta Profissional e poderão perder sua licença para atuar como contadores públicos certificados.

O prefácio das Normas de Auditoria descreve os princípios fundamentais que go- vernam uma auditoria.1 De acordo com esses princípios, o propósito de uma auditoria é aumentar a credibilidade que as entidades externas colocam nas demonstrações fi- nanceiras. O auditor consegue aumentar essa confiança ao emitir uma opinião sobre as demonstrações financeiras, no qual declara se foram ou não preparadas em conformi- dade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável. Em outras palavras, a opinião

  • de R.T.: As normas emitidas pelo ASB, do AICPA, e pelo PCAOB, aplicam-se aos profissionais e seus trabalhos de auditoria independente sobre demonstrações financeiras de empresas norte-americanas, ou es- trangeiras, mas com títulos negociáveis em bolsas de valores dos Estados Unidos. As normas emitidas pelo IAASB da IFAC são de aplicação internacional, para os países a elas aderentes. No Brasil, o Conselho Federal de Contabilidade – CFC, o organismo oficial de regulamentação da profissão contábil (e, em consequência, da atividade de auditoria independente), com o apoio do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – Ibra- con, emite as normas de auditoria independente. A partir de 2009, o CFC adotou integralmente as normas internacionais de auditoria emitidas pelo IAASB da IFAC, traduzindo ipsis litteris seus conteúdos, inclusive com a adoção da mesma numeração e titulação das referidas normas internacionais.

1 O prefácio da Codificação de Pronunciamentos sobre Normas de Auditoria, Princípios que governam uma auditoria conduzida de acordo com as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas (Principles Governing an Audit Con- ducted in Accordance with Generally Accepted Auditing Standards), substitui as 10 Normas de Auditoria Geralmen- te Aceitas. Os auditores que seguem as normas do PCAOB em vez de as do ASB ainda usarão as 10 Normas de Auditoria Geralmente Aceitas, as quais estão listadas no Quadro 1.2.

 

 

afirma se a empresa seguiu ou não as normas contábeis (a estrutura de relatório finan- ceiro aplicável) ao preparar as demonstrações financeiras. A própria auditoria é condu- zida segundo as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas. As normas de auditoria re- conhecem que a administração precisa preparar as demonstrações financeiras e manter um sistema de controle interno relevante para esse processo. Além disso, a administra- ção deve fornecer ao auditor todas as informações relevantes e acesso irrestrito a quem na empresa possa fornecer mais evidências das quais esse profissional precise. Os prin- cípios fundamentais são listados em três categorias gerais: (1) responsabilidade; (2) desempenho; e (3) relatórios. Veja no Quadro 1.1 uma descrição dos princípios especí- ficos de cada uma dessas categorias.

O Comitê de Normas de Auditoria emite novas normas de auditoria como Pronun- ciamentos sobre Normas de Auditoria, mais comumente chamadas de SASs (Statements on Auditing Standards), numeradas consecutivamente (já foram emitidos mais de 100 “pronunciamentos sobre normas de auditoria”). Essas normas são compiladas anual- mente e organizadas por tópico na Codificação de Pronunciamentos sobre Normas de Auditoria. O AICPA emite uma nova codificação a cada ano. Quando as seções são co- dificadas, são listadas com números de parágrafos de Auditoria (AU). Os números das seções de codificação usados pelo ASB são apresentados a seguir. Essas normas consti- tuem o que é conhecido como Normas de Auditoria Geralmente Aceitas (Generally Accepted Auditing Standards – GAAS).

 

Quadro 1.1 Princípios que governam uma auditoria conduzida conforme as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas
RESPONSABILIDADES

Os auditores são responsáveis por ter a competência e a capacidade apropriadas para realizar a auditoria, cumprindo as exigências éticas relevantes, inclusive as que dizem respeito à independência e ao devido zelo; e por manter o ceticismo profissional e exercer o julgamento profissional durante todo o planejamento e a realização da auditoria.

DESEMPENHO

Para expressar uma opinião, o auditor busca uma segurança razoável de que as demonstrações financeiras de modo geral estão livres de distorções relevantes, seja em decorrência de fraudes ou erros.

Para obter uma segurança razoável, que é um nível alto, mas não absoluto de garantia, o auditor:

•       Planeja o trabalho e supervisiona adequadamente quaisquer assistentes.

•       Determina o nível ou os níveis de materialidade apropriados.

•       Identifica e avalia riscos de distorção relevante, seja em decorrência de fraudes ou erros, com base no entendimento da entidade e de seu ambiente, inclusive dos controles internos da entidade.

•       Obtém evidências de auditoria suficientes e apropriadas sobre a existência ou não de distorções relevantes, por meio da elaboração e da implementação de respostas apropriadas aos riscos avaliados.

O auditor é impedido de obter uma segurança absoluta de que as demonstrações financeiras sejam livres de distorções relevantes em virtude de limitações inerentes, que surgem

•       da natureza dos relatórios financeiros;

•       da natureza dos procedimentos de auditoria;

•       da necessidade de que a auditoria seja realizada em um período razoável de tempo e com um custo aceitável.

RELATÓRIOS

O auditor expressa uma opinião de acordo com as suas descobertas, ou declara que uma opinião não pode ser ex- pressa, na forma de um relatório escrito. A opinião declara se as demonstrações financeiras são ou não preparadas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

 

 

  • AU 100 – Introdução
  • AU 200 – As normas gerais
  • AU 300 – As normas do trabalho de campo
  • AU 400 – A primeira, a segunda e a terceira norma de relatórios
  • AU 500 – A quarta norma de relatórios
  • AU 600 – Outros tipos de relatórios
  • AU 700 – Tópicos especiais
  • AU 800 – Auditoria de conformidade
  • AU 900 – Relatórios especiais do Comitê de Procedimentos de Auditoria

Em cada seção, há muitas subseções. Por exemplo, a subseção AU § 316 descreve as responsabilidades do auditor durante o trabalho de campo, como a de considerar um caso de fraude em uma auditoria de demonstrações financeiras. As normas de auditoria emitidas pelo ASB relevantes para cada capítulo deste livro serão listadas no início de cada um deles, para que, assim, você possa utilizar o livro de codificação de normas de auditoria e ler o material sugerido. Um auditor profissional ativo usa o material contido nas normas de auditoria emitidas pelo ASB para determinar os procedimentos realiza- dos, as evidências obtidas e o relatório de auditoria emitido para a auditoria de uma empresa de capital fechado (não emissora de ações).

 

Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (PCAOB)

O Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (Public Company Accounting Oversight Board – PCAOB), formado por cinco membros, foi criado com a aprovação da Lei Sarbanes-Oxley em 2002. O PCAOB é uma organização sem fins lucrativos do setor privado criada para supervisionar auditores de empresas de capital aberto a fim de “proteger os interesses dos investidores e ampliar o interesse público em relação à preparação de relatórios de auditoria informativos, justos e inde- pendentes”. Seus membros, dos quais dois têm que ser ou já foram CPAs (contadores públicos certificados), são nomeados pela SEC, a autoridade que supervisiona o PCAOB, o que inclui a aprovação de suas regras, normas e orçamento. O objetivo do PCAOB é “melhorar a qualidade da auditoria, reduzir os riscos de falhas em auditorias no merca- do de títulos públicos dos Estados Unidos e promover a confiança do público tanto no processo de relatórios financeiros quanto na profissão de auditor” (<http://pcaobus.org/ about/history/pages/default.aspx>).

A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) exige que os auditores de empresas de capital aberto nos Estados Unidos sigam as normas de auditoria do PCAOB. Antes da criação desse con- selho, as normas de auditoria do ASB eram usadas para auditar todas as empresas, tanto as de capital fechado quanto as de capital aberto. Em 2003, o PCAOB adotou al- gumas normas de auditoria do ASB provisoriamente até que conseguisse desenvolver novas normas de auditoria. As normas provisórias que não foram suplantadas ou emen- dadas pelo Comitê permanecem em vigor. Quando o PCAOB emite normas de audito- ria que mudam as exigências das normas provisórias, estas são revisadas. Entretanto, o PCAOB não adota as mesmas revisões realizadas pelo ASB de suas normas provisórias, ou seja, um auditor tem que usar o texto da norma provisória do site do PCAOB ao realizar a auditoria de uma empresa de capital aberto, em vez de utilizar o texto das normas do ASB, já que as duas normas, mesmo com numeração idêntica, podem ser

 

 

diferentes. As quinze* novas normas de auditoria emitidas pelo PCAOB e as normas cor- rentes adotadas como normas provisórias são exibidas a seguir:

Normas PCAOB

  • Norma de Auditoria 1 – Referências nos relatórios do auditor às normas do Con- selho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto.
  • Norma de Auditoria 2 – Auditoria de controles internos sobre relatórios finan- ceiros realizada com uma auditoria de demonstrações financeiras (substituída).
  • Norma de Auditoria 3 – Documentação da auditoria.
  • Norma de Auditoria 4 – Relatório sobre se uma fraqueza material divulgada anteriormente continua a existir.
  • Norma de Auditoria 5 – Auditoria de controles internos sobre relatórios financei- ros integrada a uma auditoria de demonstrações financeiras.
  • Norma de Auditoria 6 – Avaliação da consistência das demonstrações financeiras.
  • Norma de Auditoria 7 – Revisão da qualidade do trabalho de auditoria.
  • Norma de Auditoria 8 – Risco de auditoria.
  • Norma de Auditoria 9 – Planejamento de auditoria.
  • Norma de Auditoria 10 – Supervisão do trabalho de auditoria.
  • Norma de Auditoria 11 – Consideração da materialidade ao planejar e realizar uma auditoria.
  • Norma de Auditoria 12 – Identificação e avaliação dos riscos de distorções relevantes.
  • Norma de Auditoria 13 – Respostas do auditor aos riscos de distorção relevante.
  • Norma de Auditoria n. 14 – Avaliação dos resultados de
  • Norma de Auditoria 15 – Evidências de auditoria.

 

Normas Provisórias do Comitê de Normas de Auditoria do AICPA**

  • AU 110 – Responsabilidades e funções do auditor
  • AU 150 – Normas de Auditoria Geralmente
  • AU 161 – Relação entre as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas e as normas de controle de
  • AU 201 – Natureza das normas
  • AU 210 – Treinamento e proficiência do auditor
  • AU 220 – Independência.
  • AU 230 – Zelo profissional devido na realização de um
  • AU 310 – Nomeação do auditor
  • AU 311 – Planejamento e supervisão.
  • AU 313 – Testes substantivos anteriores à data do balanço
  • AU 315 – Comunicações entre auditor predecessor e
  • de R.T.: No final de abril de 2013, o PCAOB emitiu 16 normas, sendo a última a Norma de Auditoria n. 16 – Comunicação com o Comitê de Auditoria.

** N. de R.T.: As seguintes normas foram substituídas até o final de abril de 2013: AU 310, AU 311, AU 313, AU 319 e AU 380.

 

 

  • AU 316 – Consideração de fraude em uma auditoria de demonstrações
  • AU 317 – Atos ilegais dos
  • AU 319 – Consideração de controles internos em uma auditoria de demonstrações
  • AU 322 – Consideração da função de auditoria interna pelo auditor em uma audito- ria de demonstrações
  • AU 324 – Organizações de serviços.
  • AU 325 Comunicações sobre deficiências de controles em uma auditoria de demons- trações
  • AU 328 – Auditoria de mensurações e divulgações de valor
  • AU 329 – Procedimentos analíticos.
  • AU 330 – Processo de confirmação.
  • AU 331 –
  • AU 332 – Auditoria de instrumentos derivativos, atividades de hedging e investimen- tos em valores mobiliários.
  • AU 333 – Representações da administração por
  • AU 334 – Partes
  • AU 336 – Uso do trabalho de
  • AU 337 – Indagação do advogado de um cliente quanto a litígios, demandas judiciais e avaliações jurídicas.
  • AU 341 – Consideração pelo auditor da capacidade de continuidade do negócio de uma
  • AU 342 – Auditoria de estimativas contábeis.
  • AU 350 – Amostragem de auditoria.
  • AU 380 – Comunicação com os comitês de
  • AU 390 – Consideração de procedimentos omitidos após a data do relatório.
  • AU 410 – Aderência aos princípios contábeis geralmente
  • AU 411 – Significado de apresentar o trabalho de maneira adequada e em conformi- dade com os princípios contábeis geralmente
  • AU 435 – Informações sobre
  • AU 504 – Associação com as demonstrações
  • AU 508 – Relatórios sobre demonstrações financeiras
  • AU 530 – Datação do relatório do auditor
  • AU 532 – Restrição do uso de um relatório do
  • AU 534 – Relatórios sobre demonstrações financeiras preparadas para uso em ou- tros países.
  • AU 543 – Parte da auditoria realizada por outros auditores
  • AU 544 – Falta de conformidade com os princípios contábeis geralmente
  • AU 550 – Outras informações em documentos que contenham demonstrações fi- nanceiras
  • AU 551 – Relatórios sobre informações que acompanham as demonstrações finan- ceiras básicas nos documentos enviados pelo
  • AU 552 – Relatórios sobre demonstrações financeiras condensadas e dados financei- ros selecionados.

 

 

  • AU 558 – Informações complementares
  • AU 560 – Eventos
  • AU 561 Descoberta subsequente de fatos que existiam na data do relatório do
  • AU 622 – Trabalhos para aplicar procedimentos acordados a elementos, contas ou itens especificados de uma demonstração
  • AU 623 – Relatórios
  • AU 625 – Relatórios sobre a aplicação de princípios contábeis.
  • AU 634 – Cartas para subscritores (underwriters) e outras partes
  • AU 711 – Arquivamentos de documentos sob a legislação federal de títulos e valores mobiliários.
  • AU 722 – Informações financeiras provisórias.
  • AU 801 – Considerações de auditoria de conformidade em auditorias de entidades governamentais e beneficiários de assistência financeira
  • AU 901 – Empresas públicas de armazenagem – Controles e procedimento de audi- toria para mercadorias

 

Quadro 1.2 Normas de Auditoria Geralmente Aceitas do PCAOB
NORMAS GERAIS

1. A auditoria deve ser realizada por um profissional com treinamento técnico e proficiência adequados como auditor.

2. Em todas as questões relativas ao trabalho de auditoria, o auditor deve manter uma independência em sua atitude mental.

3. Deve-se tomar o zelo profissional devido na realização da auditoria e na preparação do relatório.

NORMAS DO TRABALHO DE CAMPO

1.       O trabalho deve ser adequadamente planejado e os assistentes, quando houver, devem ser apropriadamente supervisionados.

2.       Deve-se ter um entendimento suficiente do controle interno para planejar a auditoria e determinar a natureza, o momento oportuno e a extensão dos testes a serem realizados.

3.       Deve-se obter evidências suficientes e apropriadas por meio da inspeção, observação, indagação e confirmação para gerar uma base razoável para a formação da opinião relativa às demonstrações financeiras sob auditoria.

NORMAS DOS RELATÓRIOS

1. O relatório deve declarar se as demonstrações financeiras são apresentadas em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP).

2. O relatório deve identificar as circunstâncias em que tais princípios não tiverem sido observados de forma consis- tente no período corrente em relação ao período anterior.

3. As divulgações informativas das demonstrações financeiras devem ser consideradas razoavelmente adequadas a menos que se afirme o contrário no relatório.

4. O relatório deve conter uma expressão da opinião relativa às demonstrações financeiras, consideradas como um todo, ou uma afirmação no sentido de que uma opinião não pode ser expressa sendo que, neste caso, os motivos para tal asserção devem ser declarados. Em todos os casos em que o nome do auditor esteja associado às demons- trações financeiras, o relatório deve conter uma indicação clara do caráter do trabalho da auditoria, se houver, e do grau de responsabilidade que a auditoria está assumindo.

 

O PCAOB tem sua autoridade garantida por lei federal nos Estados Unidos, sendo que a SEC tem que aprovar as normas de auditoria que esse conselho emite. Qualquer empresa que listar suas ações em uma bolsa de valores dos Estados Unidos terá que

 

 

seguir as regras da SEC, como a exigência de uma auditoria integrada (uma de demons- trações financeiras e uma dos controles internos sobre o processo de elaboração de re- latórios financeiros) realizada por um auditor registrado junto ao PCAOB. Todas as firmas de auditoria que realizam auditorias de empresas de capital aberto são registra- das junto ao PCAOB e concordam em cumprir suas normas de auditoria estabelecidas, já que isso é exigido por lei. A SEC será discutida de forma mais detalhada adiante, neste capítulo.

Segundo a AU 150, um auditor independente planeja, realiza e divulga os resultados de uma auditoria em conformidade com as Normas de Auditoria Geralmente Aceitas. As normas de auditoria fornecem uma maneira de medir a qualidade da auditoria e os objetivos por ela alcançados. Já as normas gerais, do trabalho de campo e dos relatórios, listadas no Quadro 1.2, oferecem uma estrutura para as normas de auditoria.

Um importante aspecto do PCAOB é sua capacidade de fazer cumprir as regras que desenvolve. O conselho é solicitado a conduzir inspeções contínuas de firmas de audi- toria registradas junto a ele, sendo que aquelas com mais de 100 clientes de capital aberto são inspecionadas anualmente e as com menos no mínimo a cada três anos. Os relatórios de inspeção são postados no site do PCAOB e disponibilizados ao público. No desenvolvimento de novas normas de auditoria, os membros do PCAOB consideram se a regra pode ser “inspecionada” e colocada em vigor. Apesar de serem conduzidos pro- cedimentos de revisão por pares para as auditorias realizadas sob as regras do ASB, acredita-se que esses procedimentos de revisão sejam inadequados para assegurar o cumprimento das normas de auditoria para empresas que emitem ações nas bolsas de valores dos Estados Unidos.

Referências relacionadas às normas do PCAOB, disponíveis em <http://www.pcao- bus.org>, serão listadas no início de cada capítulo como material de consulta.

 

Conselho Internacional de Normas de Auditoria e Asseguração (IAASB)

O Conselho Internacional de Normas de Auditoria e Asseguração (IAASB), formado em 1978 como uma instituição independente de normatização da Federação Internacional de Contadores (IFAC), possui dezoito membros nomeados por essa federação, que tra- balham em regime de tempo parcial por três anos. A sede da IFAC é na cidade de Nova York (tanto o ASB quanto o PCAOB têm suas sedes nos Estados Unidos).

O IAASB já emitiu trinta e duas Normas Internacionais de Auditoria (International Standards of Auditing – ISAs). O conselho desenvolve e emite normas de auditoria sob sua própria autoridade para uso em todo o mundo, sendo que cada país é livre para adotar ou incorporar as ISAs às suas normas de auditoria nacionais. As ISAs são planejadas para ser usadas em todos os tipos de auditoria: de empresas de capital aberto ou fecha- do, pequenas ou grandes empresas, empresas governamentais ou com fins lucrativos. Mais de 100 países* já adotaram as ISAs emitidas pelo IAASB, as quais também são codificadas e apresentadas por área temática para facilitar que o auditor encontre todas

*    N. de R.T.: O Brasil é um desses países e, conforme citado anteriormente, adotou as normas internacionais de auditoria emitidas pelo IAASB do IFAC, por meio de traduções integrais (e literais) do idioma inglês para o português e utilizando as mesmas codificações e nomenclaturas originais. Essas normas entraram em vigor no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2010, referendadas por diversas resoluções do Conselho Federal de Contabi- lidade – CFC.

 

 

as regulamentações de auditoria sobre determinado tópico (por exemplo, fraude) em um único lugar.

As ISAs são muitas vezes consideradas as mais atualizadas e abrangentes dos três conjuntos de normas. Além disso, são globais por natureza – um importante fato para aqueles que estiverem se preparando para uma carreira a longo prazo em contabilidade. As firmas de auditoria iniciam com o uso das ISAs ao desenvolver programas de audi- toria e os ajustam de acordo com as mudanças impostas pelo ASB e pelo PCAOB. As normas de auditoria estão se tornando cada vez mais similares entre os três grupos. O ASB e o IAASB concordaram em criar um projeto de convergência para as normas de auditoria e asseguração emitidas pelos dois grupos, o qual espera-se que esteja concluído em 2013 ou 2014. Como as ISAs são mais abrangentes do que as normas de auditoria emitidas pelo ASB, as normas de auditoria nos Estados Unidos estão sendo revisadas de modo que passem a corresponder àquelas normas. Por isso, podem ocorrer diferenças de enunciado entre as normas internacionais e as normas dos Estados Unidos, uma vez que cada órgão normatizador aplica termos que são compreendidos no ambiente em que as normas são utilizadas, mas as diferenças são vistas como de importância secun- dária. As normas de auditoria do ASB já deverão corresponder às ISAs até 2014.

Este livro foi escrito conforme as normas de auditoria em vigor nos Estados Unidos na época de sua publicação. Referências às normas internacionais de auditoria, dispo- níveis no site da IFAC (<http://www.ifac.org>), serão listadas no início de cada capítulo como material de consulta.

 

OA1.6 Explicar as exigências das normas de auditoria quanto às evidências.

Exigências das normas de auditoria quanto às evidências

Uma importante exigência das normas de auditoria é que o au- ditor obtenha evidências suficientes e apropriadas para deter- minar se as demonstrações financeiras foram ou não prepara- das de maneira consistente com a estrutura de relatório finan- ceiro aplicável usada pela empresa.

As evidências de auditoria, fundamentais para o processo de auditoria, são as infor- mações usadas pelo auditor para determinar a opinião que emitirá. Elas incluem as informações dos registros de contabilidade com os registros de lançamentos iniciais; documentos comprobatórios como cheques, faturas e contratos; e os livros-razão geral e auxiliar da empresa. A administração é responsável pela preparação das demonstra- ções financeiras e o auditor tem como função obter evidências suficientes (em termos de quantidade) e apropriadas (em termos de relevância e confiabilidade) para determinar se esse trabalho da administração foi realizado em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

As evidências obtidas pelo auditor podem ser classificadas em três tipos:

  • Evidências substantivas – descrevem se as transações e os saldos listados nas demons- trações financeiras são ou não apresentados de maneira adequada e em conformida- de com a estrutura de relatório financeiro aplicável.
  • Evidências relativas aos controles internos – determinam se é possível ou não confiar nos controles internos para detectar ou evitar distorções nas demonstrações
  • Evidências relativas aos procedimentos analíticos – identificam mudanças em relação às demonstrações financeiras do exercício social

 

 

Cada tipo de evidência será discutido mais detalhadamente a seguir.

Os testes substantivos realizados pelo auditor para determinar se as demonstrações financeiras foram ou não preparadas em conformidade com a estrutura de relatório fi- nanceiro aplicável podem ser testes substantivos de transações ou de balanços. Os testes substantivos de transações são realizados para se obter evidências sobre as contas da demonstração do resultado (contas de receitas e despesas). Os testes substantivos de balanços são realizados para se obter evidências sobre as contas de balanço patrimonial (ativos, passivos e patrimônio líquido). Ambos os tipos de testes substantivos respon- dem à questão de que as contas das demonstrações financeiras representam ou não a condição financeira da empresa de maneira adequada e em conformidade com a estru- tura de relatório financeiro aplicável. Caso essa premissa não seja verdadeira, o auditor deve obter evidências suficientes para chegar aos números corretos para as demonstra- ções financeiras.

Os testes realizados pelo auditor para determinar se os controles internos da empresa evitam ou detectam distorções nas demonstrações financeiras são chamados de testes de controles internos, os quais respondem à questão de que o controle está funcionando (no nível esperado) para evitar ou detectar distorções nas demonstrações financeiras. Se os controles não estiverem funcionando, o auditor realizará mais testes substantivos.

Procedimentos analíticos são uma terceira forma de evidência obtida pelo auditor. Trata-se de cálculos de índices financeiros, comparações de informações não financei- ras a informações financeiras e comparações das demonstrações financeiras auditadas do exercício social anterior às não auditadas do exercício social corrente. Esses proce- dimentos analíticos são uma forma de procedimento substantivo de auditoria e podem ser usados para obter evidências relativas às contas da demonstração do resultado ou aos saldos no balanço patrimonial.

Os testes substantivos de transações e os testes de controles internos são geralmente realizados para o exercício social inteiro por uma auditoria de demonstrações financei- ras. Uma exceção a essa regra ocorre quando o auditor testa controles internos relacio- nados à efetividade operacional dos controles sobre o processo de relatórios financeiros (segundo as exigências da Lei SOX). Os controles internos sobre o processo de relató- rios financeiros, e não os sobre a auditoria de demonstrações financeiras, têm que ser eficazes somente no final do exercício social, então, nesse caso, não se testa o exercício social inteiro. Os testes substantivos de balanços são feitos somente no balanço patri- monial do final do exercício social.

Vários conceitos do processo de obtenção de evidências são importantes. No início de uma auditoria, o auditor apresenta suas credenciais ao cliente para que o reconheça como um profissional com formação e conhecimento em contabilidade e auditoria, que pode conduzir a auditoria. Para realizar o seu trabalho, o auditor tem que ser indepen- dente do cliente – deve estar livre de qualquer interesse ou obrigação em relação ao cliente. Essa independência assume duas formas: o auditor tem que ser “intelectual- mente honesto” para ser independente (independência efetiva) e tem que ser reconhecido como independente pelas entidades externas (independência aparente).

O auditor precisa obter evidências baseando-se na norma do zelo profissional de- vido, o que exige que realize suas tarefas de auditoria com a habilidade comparável à de qualquer outro auditor e obtenha e interprete evidências da mesma maneira que qualquer outro profissional teria feito. Além disso, ele deve conhecer as normas de contabilidade e auditoria e ter bons conhecimentos sobre o cliente.

 

 

O ceticismo profissional está estreitamente ligado ao zelo profissional devido. Para obter evidências com zelo profissional, um auditor tem que realizar a auditoria com uma atitude de ceticismo profissional, presente quando ele mantém uma mente ques- tionadora e faz uma avaliação crítica das evidências obtidas. O ceticismo profissional é usado durante toda a auditoria para determinar as evidências a serem obtidas e sua interpretação.

Se o auditor aplicar o conceito de ceticismo profissional à auditoria, poderá obter uma segurança razoável de que as demonstrações financeiras estão livres de distor- ções relevantes. No entanto, por não se tratar de uma certeza absoluta, uma auditoria pode deixar de detectar essas distorções mesmo com uma segurança razoável, sendo que sua norma é suficiente para que se emita uma opinião no relatório de auditoria. Nesse sentido, a descoberta subsequente de distorções relevantes nas demonstrações financeiras não indica que o auditor deixou de obter uma segurança razoável ou que a auditoria foi realizada sem o zelo profissional devido.

 

OA1.7 Compreender como o auditor usa os processos de negócio para estruturar a forma de obter evidências.

Auditoria de processos de negócio, classes de transações e saldos de balanço

Ao longo dos anos, os métodos usados pelos auditores para ob- ter evidências sofreram modificações. No passado, esses profis- sionais obtinham evidências por meio de uma auditoria do ba- lanço patrimonial. Supunha-se que se o auditor soubesse que os saldos registrados no balanço patrimonial tinham sido pre- parados em conformidade com a estrutura de relatório finan-

ceiro aplicável, a demonstração do resultado também seria preparada de acordo com essa estrutura. Na etapa seguinte aos procedimentos de auditoria, o auditor obtinha evidências relativas a um ciclo contábil em vez de às contas do balanço patrimonial.

Um ciclo contábil envolve as contas tanto do balanço patrimonial quanto da de- monstração do resultado e segue uma transação por meio de um processo, desde seu início até sua conclusão (normalmente no ponto do fluxo de caixa). Por exemplo, em uma auditoria do ciclo de receitas, os auditores incluiriam as contas a receber e uma provisão para créditos de liquidação duvidosa no balanço patrimonial e receitas e des- pesas com devedores duvidosos na demonstração do resultado. Esse ciclo contemplaria os procedimentos de início de uma venda, o envio de mercadorias ou a prestação de um serviço, o faturamento ao cliente e o recebimento da venda. Ao obter evidências relati- vas ao ciclo de receitas, o auditor obtém aquelas relacionadas a todas as contas do ciclo. Hoje, o auditor utiliza um conceito ainda mais amplo para organizar a forma como obtém as evidências: ele considera os processos de negócio da empresa. Para o proces- so de negócio de venda de um produto, por exemplo, o auditor considera evidências relacionadas às transações que abrangem receitas e contas a receber, o que inclui uma provisão para créditos de liquidação duvidosa e despesas com devedores duvidosos. Uma auditoria de processos de negócio pode considerar também, entre outros, os pro- cessos de negócio da venda de um produto e recebimento de caixa, a contratação de empréstimos para operar, o pagamento de passivos de curto prazo, a produção de esto- ques para venda ou a compra de ativos fixos para o uso. O auditor identifica os proces- sos de negócio do cliente no início da auditoria e estrutura a forma de obter evidências

 

 

suficientes e apropriadas para determinar se as contas das demonstrações financeiras pertinentes aos processos de negócio são ou não registradas de maneira adequada e em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Como o tempo do auditor durante uma auditoria é limitado, estruturar a auditoria de acordo com os processos de negócio é uma maneira eficiente de conduzi-la. O auditor considera contas relacionadas ao mesmo tempo e identifica os processos que são importantes para o cliente auditado.

No modelo de processos de negócio, o auditor identifica classes de transações e saldos de balanço nos processos de negócio. As classes de transações são as contas da demonstração do resultado e os saldos de balanço são as contas do balanço patrimonial. Depois de o auditor concluir o levantamento de evidências relativas ao processo de negócio, ele deve conseguir determinar se as classes de transações e os saldos de balan- ço do processo de negócio foram ou não apresentados em conformidade com a estrutu- ra de relatório financeiro aplicável.

 

OA1.8 Explicar como as asserções da administração sobre as demonstrações financeiras são usadas no processo de auditoria.

Asserções da administração

O auditor estrutura a forma de obter as evidências consideran- do as asserções feitas pela administração ao preparar as de- monstrações financeiras da empresa: ao entregá-las ao auditor no início de uma auditoria, a administração lhe pede que obte- nha evidências suficientes para declarar se as demonstrações financeiras estão ou não apresentadas em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Quando a adminis-

tração apresenta as demonstrações financeiras ao auditor, faz várias asserções sobre elas, listadas a seguir.2

 

Asserções da administração
Existência ou ocorrência – para classes de transações e saldos de balanço

Completude – para classes de transações e saldos de balanço

Avaliação e alocação – para saldos de balanço Direitos e obrigações – para saldos de balanço Exatidão – para classes de transações

Corte (cut-off ) – para classes de transações

Classificação – para classes de transações

 

O auditor obtém evidências durante o processo de auditoria para determinar se as demonstrações financeiras foram ou não preparadas em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável, organizando-as de acordo com as asserções da admi- nistração concernentes às demonstrações financeiras.

2 O PCAOB usa cinco asserções em suas normas de auditoria: existência, completude, avaliação, direitos e obrigações e apresentação e divulgação. O ASB e o IAASB usam 11 asserções. O PCAOB permite que os audi- tores usem qualquer um dos dois conjuntos de asserções no processo de auditoria. Neste livro, serão utilizadas as asserções adotadas pelo ASB e pelo IAASB, já que as empresas de auditoria usam as normas internacionais de auditoria para desenvolver seus programas de auditoria.

 

 

As duas primeiras asserções, relativas à existência ou à ocorrência, que expressam se os ativos e passivos são válidos (se existem) no final do exercício social e se as tran- sações registradas na demonstração do resultado aconteceram (ocorreram) durante o exercício social, e à completude, que relatam se todas as transações que deveriam ter sido registradas ao longo do exercício social segundo a estrutura de relatório financeiro aplicável foram realmente registradas, aplicam-se às contas tanto do balanço patrimo- nial quanto da demonstração do resultado.

Já as asserções relativas à (1) avaliação e alocação e aos (2) direitos e obrigações se aplicam somente às contas do balanço patrimonial: as primeiras expressam se a conta de ativos, passivos ou patrimônio líquido foi incluída nas demonstrações financeiras em seu valor correto segundo a estrutura de relatório financeiro aplicável e as segundas afirmam que a empresa tem o direito ao ativo ou a obrigação de pagar o passivo no fim do exercício social. Três asserções aplicam-se somente às contas da demonstração do resultado: a rela- tiva à exatidão, que especifica que os valores das transações foram registrados apro- priadamente; a relacionada ao corte (cut-off), que afirma que todas as transações foram registradas no período contábil correto segundo a estrutura de relatório financeiro apli- cável; e a relativa à classificação, que relata que todas as transações foram registradas

nas contas apropriadas.

As asserções relativas à apresentação e divulgação determinam se os ativos, passi- vos, receitas e despesas estão apresentados apropriadamente nas demonstrações finan- ceiras e se as divulgações destas estão completas e em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Essas asserções serão discutidas mais detalhadamente adiante neste livro.

O auditor obtém evidências para determinar se as asserções da administração são verdadeiras. Os capítulos deste livro que abrangem a auditoria de processos de negócio usarão a abordagem das asserções com o intuito de ilustrar como o auditor obtém evi- dências para determinar se as demonstrações financeiras estão ou não preparadas em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

 

OA1.9 Descrever o relatório de auditoria.

Relatórios de auditoria

Na conclusão da auditoria, o auditor emite um relatório de au- ditoria para o cliente baseado nas evidências obtidas e refletin- do a avaliação, ou seja, opinando a respeito de se as demonstra-

ções financeiras estão ou não preparadas em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. O Quadro 1.3 apresenta um exemplo de relatório emitido pela firma de auditoria Ernst & Young para sua cliente Hewlett-Packard.

 

Quadro 1.3 Relatório de uma firma de auditoria independente (Hewlett-Packard Company – 31 de outubro de 2008)
Ao Conselho de Administração e aos Acionistas da Hewlett Packard Company

Examinamos os balanços patrimoniais consolidados da Hewlett-Packard Company e subsidiárias em 31 de outubro de 2008 e 2007, além das respectivas demonstrações consolidadas do resultado, do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa relacionadas a cada um dos três anos do período que terminou em 31 de outubro de 2008. Nossas auditorias também incluíram a tabela financeira listada no Índice como Item 15(a)(2). A elaboração dessas demonstrações fi- nanceiras e da tabela são de responsabilidade da administração da empresa; nossa função é expressar uma opinião sobre ambas com base em nossas auditorias.

b

 

b

Realizamos nossas auditorias de acordo com as normas do Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de

Capital Aberto – PCAOB (Estados Unidos), as quais exigem o planejamento e a execução da auditoria de forma a obter uma segurança razoável de que as demonstrações financeiras estão livres de distorções relevantes. Uma audi- toria inclui o exame, por meio de testes, de evidências que comprovem os valores e divulgações contidos nas de- monstrações financeiras. Além disso, abrange a avaliação dos princípios contábeis utilizados e das estimativas signifi- cativas feitas pela administração e da apresentação geral das demonstrações financeiras. Acreditamos que nossas auditorias fornecem uma base razoável para nossa opinião.

Em nossa opinião, as demonstrações financeiras supracitadas representam de maneira adequada, em todos os aspectos relevantes, a posição financeira consolidada da Hewlett-Packard Company e subsidiárias em 31 de outubro de 2008 e 2007, os resultados consolidados de suas operações e seus fluxos de caixa de cada um dos três anos do período que terminou em 31 de outubro de 2008, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável nos Estados Unidos. Além disso, em nossa opinião, a tabela financeira relacionada, quando considerada em relação às demons- trações financeiras básicas como um todo, apresenta de maneira adequada as informações nela expressas em todos os seus aspectos relevantes.

Auditamos também, de acordo com as normas do Conselho de Supervisão da Contabilidade de Empresas de Capital Aberto – PCAOB (Estados Unidos), a efetividade operacional do controle interno da Hewlett-Packard Company sobre os relatórios financeiros emitidos em 31 de outubro de 2008, com base em critérios estabelecidos no Con- trole Interno – Estrutura Integrada emitido pelo Comitê de Organizações Patrocinadoras da Comissão Treadway e, dessa forma, nosso relatório, datado de 15 de dezembro de 2008, expressa uma opinião não qualificada a esse respeito.

Como discutido na Nota 1 das demonstrações financeiras consolidadas, no exercício social de 2008, a Hewlett-Packard Company mudou seu método de contabilizar impostos de acordo com as orientações fornecidas pelo Conselho de Pa- drões de Contabilidade Financeira (FASB) Interpretação n. 48, “Contabilização de incertezas em impostos de renda, uma interpretação do Pronunciamento FASB n. 109” e, no exercício social de 2007, a Hewlett-Packard Company mudou seu método de contabilizar planos de benefício definido de pós-emprego de acordo com as orientações fornecidas pela Declaração n. 158 de Normas de Contabilidade Financeira, “Contabilização pelo empregador de benefícios definidos de aposentadoria e outros planos pós-emprego – uma emenda do FASB n. 87, 88, 106 e 132(R)”.

 

/s/ ERNST & YOUNG LLP

San Jose, Califórnia

15 de dezembro de 2008

 

Antes de começar a estudar sobre auditoria, é importante que você compreenda o resultado dela. Se o auditor determina que as demonstrações financeiras representam de maneira adequada a posição financeira da empresa e os resultados de suas operações e fluxos de caixa estão em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicá- vel, uma “opinião limpa” será emitida para o cliente. Essa opinião padrão (também co- nhecida como opinião não qualificada) sempre inclui pelo menos três parágrafos: um introdutório, um que define o escopo e outro que expressa a opinião. O relatório da Hewlett-Packard também contém dois parágrafos explicativos adicionais (o 4º mencio- na para o leitor a opinião da auditoria quanto à efetividade operacional dos controles internos e o 5º explica uma mudança nos princípios contábeis).

Você pode verificar que a opinião é direcionada aos acionistas e ao conselho de ad- ministração, que contratou a firma de auditoria independente para realizar uma audi- toria e proteger os interesses das entidades externas. Os auditores não trabalham para a diretoria da empresa auditada. Nos Estados Unidos, os auditores normalmente emi- tem um relatório de auditoria relativo a dois exercícios sociais de balanço patrimonial

 

 

e três exercícios sociais de demonstração do resultado, do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa. As responsabilidades da administração e do auditor são claramente expressas no primeiro parágrafo do relatório de auditoria: a administração é responsável por pre- parar as demonstrações financeiras e o auditor, por somente expressar uma opinião sobre elas baseada em sua avaliação.

O segundo parágrafo do relatório de auditoria explica como o auditor a realizou. No exemplo, a auditoria foi promovida em conformidade com as normas do PCAOB, já que a Hewlett-Packard é uma empresa de capital aberto sujeita às regras de relatórios do conselho.

O parágrafo de opinião do relatório de auditoria afirma que as demonstrações finan- ceiras representam de maneira adequada, em todos os aspectos relevantes, a posi- ção financeira da empresa (o balanço patrimonial), os resultados das operações da em- presa (a demonstração do resultado) e seus fluxos de caixa (a demonstração dos fluxos de caixa) dos exercícios sociais sob auditoria em conformidade com a estrutura de rela- tório financeiro aplicável nos Estados Unidos. Essa representação é a avaliação mais alta de uma opinião de auditoria; é a opinião que as empresas esperam receber. Porém, isso não significa que as demonstrações financeiras não contenham nenhuma distorção, e sim que apenas representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a condi- ção financeira da empresa. Isso quer dizer que qualquer distorção que exista nas de- monstrações financeiras não é grande o suficiente para mudar a decisão de um usuário externo. As opiniões emitidas sobre demonstrações financeiras que não representam adequadamente a condição financeira da empresa serão abordadas no Capítulo 13.

 

OA1.10 Identificar as agências reguladoras de contabilidade e descrever suas funções.

Agências reguladoras de contabilidade

Agências reguladoras e a profissão de auditor

Além das três agências normativas já discutidas, várias outras reguladoras estão envolvidas no processo de auditoria: a Co- missão de Valores Mobiliários (Securities and Exchange Com- mission – SEC), o Conselho de Padrões de Contabilidade Fi-

nanceira dos Estados Unidos (Financial Accounting Standards Board – FASB), o Comi- tê de Normas Internacionais de Contabilidade (International Accounting Standards Board – IASB), o Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (American Institute of Certified Public Accountants – AICPA) e sociedades contábeis estaduais. Todas elas influenciam a profissão de contador e é importante que um auditor iniciante compreenda a influência potencial, em termos de regulamentações, que esses grupos impõem sobre o seu trabalho.

Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC)

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), muitos empresários começaram a in- vestir no mercado de valores mobiliários. Naquela época, não havia regulamentações relativas a divulgações financeiras ou à prevenção da venda fraudulenta de ações. Quando o mercado de ações quebrou em outubro de 1929, investidores perderam mui- to dinheiro e a confiança pública no mercado de valores mobiliários sofreu uma queda. Houve, então, um consenso de que para a economia se recuperar, a fé do público nos

 

 

mercados de capitais tinha que ser restaurada. O Congresso dos Estados Unidos con- duziu audiências para identificar os problemas que causaram a quebra de 1929 e buscar soluções. Com base nessas audiências, o Congresso aprovou a Lei de Valores Mobiliá- rios dos Estados Unidos de 1933, a qual, com a Lei de Valores Mobiliários dos Estados Unidos de 1934, foi criada para restaurar a confiança dos investidores nos mercados de capitais. Para isso, essas leis forneceram aos investidores informações mais confiáveis e regras claras de negociações honestas. A SEC passou a ter o poder de exigir auditorias independentes de empresas de capital aberto, que tinham que se registrar junto à co- missão antes de vender seus títulos ao público. O principal propósito dessas duas leis pode ser descrito da seguinte maneira:

  • As empresas que vendem valores mobiliários ao público têm que dizer a ele a verda- de sobre seus negócios, os títulos que estão vendendo e os riscos envolvidos nesse
  • Aqueles que vendem e negociam títulos (corretores, negociantes e bolsas de valores) têm que tratar os investidores de maneira justa e honesta, colocando os interesses dos investidores em primeiro

A SEC é formada por cinco comissários nomeados pelo Presidente dos Estados Uni- dos. Suas responsabilidades são organizadas em cinco divisões, cuja sede é em Wa- shington, D.C, e em dezesseis escritórios com uma equipe de aproximadamente 3.500 funcionários. A responsabilidade da SEC é:

  • Interpretar as leis federais de valores mobiliários.
  • Emitir novas regras e emendar as
  • Supervisionar a inspeção de empresas de corretagem de valores mobiliários, correto- res, consultores de investimentos e agências de classificação.
  • Supervisionar organizações reguladoras privadas nas áreas de títulos e valores mo- biliários, contabilidade e
  • Coordenar a regulamentação dos títulos e valores mobiliários nos Estados Unidos com autoridades federais, estaduais e

A missão da SEC é “proteger os investidores, promover a manutenção de mercados justos, organizados e eficientes e facilitar a formação de capital”. Essa comissão tem a autoridade para redigir normas de relatórios financeiros e de contabilidade financeira (para estabelecer uma estrutura de relatório financeiro aplicável) para empresas de ca- pital aberto sob respaldo da Lei de Valores Mobiliários dos Estados Unidos de 1934. Ao longo de sua história, a política da SEC tem sido confiar que o setor privado desempe- nhe adequadamente sua função enquanto demonstrar sua capacidade de cumprir a responsabilidade quanto ao interesse público.

A SEC também está autorizada a regular a venda de títulos e valores mobiliários de todas as empresas listadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos, além de empresas internacionais com ações em uma bolsa de valores daquele país. As empresas têm como exigência fazer um arquivamento anual junto à SEC – um relatório 10-K –, dentro de 60 dias do fim do seu exercício social, o qual inclui as demonstrações financeiras, as notas explicativas, o relatório do auditor e informações adicionais solicitadas pela SEC. Até 2008, todas as empresas registradas junto à SEC tinham que cumprir a exigência de usar as normas contábeis dos Estados Unidos em seus relatórios 10-K. Naquele mo- mento, a SEC concordou em aceitar normas internacionais de contabilidade para os

 

 

relatórios 10-K de empresas estrangeiras, que agora podem arquivá-los de acordo com duas estruturas de relatório financeiro aplicáveis: os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP) dos Estados Unidos ou os internacionais. A decisão reflete a natureza internacional do mundo dos negócios e é uma indicação da importância de existirem normas internacionais de contabilidade. Porém, essa determinação pode complicar o uso de algumas demonstrações financeiras, já que usar normas de contabilidade dife- rentes para prepará-las poderia dificultar a comparação do desempenho entre diferen- tes empresas.

A SEC exige relatórios trimestrais e anuais de empresas que vendem ações nas bolsas de valores dos Estados Unidos, sendo que os primeiros são revisados por uma firma de auditoria independente e os segundos são auditados por essa mesma firma. As informa- ções trimestrais e anuais de empresas de capital aberto estão disponíveis no site da SEC (<www.sec.gov>), mas as empresas individuais geralmente incluem informações finan- ceiras em seus próprios sites. Uma das “marcas registradas” do sistema de mercados de capitais dos Estados Unidos é essa disponibilidade de informações. Em 2008, a SEC aprovou uma proposta para permitir que todas as empresas (com base nos Estados Uni- dos ou internacionais) que vendem ações nas bolsas de valores daquele país usem princí- pios contábeis internacionais na preparação de suas demonstrações financeiras. Essa pro- posta não tem uma data efetiva para entrar em vigor, mas possui importantes implicações para o uso potencial de normas internacionais de contabilidade por empresas norte-ame- ricanas. Em algum momento, os auditores dos Estados Unidos terão que aprender as es- truturas de relatórios financeiros tanto internacionais quanto norte-americanas? Ou os princípios contábeis norte-americanos e internacionais convergirão para um único con- junto de normas? Não podemos responder a essas perguntas hoje, mas elas apresentam problemas que terão de ser resolvidos pelas agências reguladoras no futuro.

Uma vez que o auditor emitiu um relatório contendo uma opinião sobre as demons-

trações financeiras anuais, elas passam a ser informações de domínio público, disponíveis a qualquer um que as solicite. As entidades externas têm livre acesso às informações fi- nanceiras, então, quando tomam decisões sobre a empresa, devem se basear em informa- ções precisas. Os auditores desempenham um importante papel em tornar o sistema de mercados de capitais norte-americano, geralmente chamado de sistema transparente de relatórios, um dos melhores sistemas do mundo para levantar capital sempre que as em- presas precisam de dinheiro para financiar expansões ou decisões de investimento.

Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira dos Estados Unidos (FASB)

A missão do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Financial Standards Board – FASB), determinada em 1973, é “estabelecer e aprimorar normas de contabili- dade financeira e de relatórios financeiros para servirem de guia e informação para o público, incluindo empresas emissoras de ações, auditores e usuários de informações financeiras”. O FASB, que desenvolve conceitos contábeis amplos, além de normas de relatórios financeiros nos Estados Unidos, faz parte de uma estrutura que é indepen- dente de todas as outras organizações empresariais e profissionais. Antes de sua cria- ção, as normas contábeis eram estabelecidas pelo Comitê de Procedimentos Contábeis (Commitee on Accounting Procedures) do AICPA de 1936-1959 e pelo Conselho de Princípios Contábeis (Accounting Principles Board), também parte do AICPA, de 1959- 1973. Os contadores que seguem as normas pelo FASB outorgam-lhe autoridade.

 

 

O FASB é composto de cinco membros que trabalham em regime de tempo integral e que devem estar desligados das instituições ou firmas para as quais trabalhavam antes de entrar para o conselho, além de possuir uma extensa lista de profissionais que tra- balham como consultores. O FASB emite projetos de normas sempre que novos princí- pios contábeis são propostos e, então, depois de revisar os comentários relativos ao projeto de norma, redige aquela definitiva para um novo princípio contábil. As normas contábeis são codificadas anualmente por assunto para permitir que os auditores as encontrem facilmente. Já houve ocasiões em que a comunidade empresarial criticou o FASB por agir lentamente demais ou por estar muito preso a regras, mas o conselho existe desde 1973 e seu método de desenvolver princípios contábeis (GAAP) tem sido, de modo geral, satisfatório para todas as partes interessadas no processo. A instituição é importante para a profissão de auditor, já que ele deve determinar se as demonstra- ções financeiras estão preparadas em conformidade com a estrutura de relatório finan- ceiro aplicável escrita pelo FASB, ou seja, tem que compreender os princípios contábeis por ele criados.

 

Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB)

O Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (International Accounting Stan- dards Board – IASB) é o comitê normativo da Fundação de Normas Internacionais de Relatório Financeiro (International Financial Reporting Standards Foundation – IFRS), cujo objetivo é “desenvolver um conjunto único de normas internacionais de relatórios financeiros que sejam de alta qualidade, compreensíveis, exequíveis e globalmente acei- tas” (<www.ifrs.org>). O IASB é um comitê normativo independente, com 15 membros dedicados em regime de tempo integral, responsável por redigir, desenvolver e publicar as normas que formam a estrutura de relatório financeiro aplicável exigido ou permiti- do por mais de 100 países. As normas contábeis emitidas pelo conselho anterior de normas contábeis são chamadas de normas internacionais de contabilidade (IASs ou International Accounting Standards) e, desde 2001, levam o nome de normas IFRS. As normas de contabilidade e de relatórios atualmente compreendem 8 IFRSs emitidas entre 2001 e 2010 e 41 ISAs emitidas entre 1973 e 2000.*

Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA)

O Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (American Institute of Cer- tified Public Accountants AICPA) foi estabelecido na década de 1880, a partir da formação da Associação Americana de Contadores Públicos (American Association of Public Accountants – AAPA). A organização teve várias mudanças de nome: em 1916, ela foi rebatizada de Instituto dos Contadores Públicos (Institute of Public Accoun- tants), quando contava com 1.150 membros; depois, passou a se chamar Instituto Ame- ricano de Contadores (American Institute of Accountants) em 1917; e, finalmente, des- de 1957, leva o nome atual. O AICPA é uma organização privada para todos os conta- dores públicos certificados, cuja autoridade é conferida pelos membros da instituição. Depois da aprovação das Leis de Valores Mobiliários dos Estados Unidos em 1933 e 1934, a profissão do ramo de contabilidade convenceu a SEC a confiar no Instituto

  • de R.T.: Entre 2011 e abril de 2013, o IASB emitiu mais cinco IFRS, completando, portanto, 13 normas emitidas até essa data.

 

 

Americano de Contadores, o predecessor do AICPA, para estabelecer normas contábeis e de auditoria com a finalidade de arquivar relatórios financeiros junto à SEC. Em 1973, o AICPA concedeu ao FASB o direito de preparar normas contábeis. Em 2002, o direito de estabelecer normas de auditoria para empresas de capital aberto foi concedido ao PCAOB, e o AICPA agora pode emitir normas de auditoria para empresas de capital fechado.

O AICPA possui três principais responsabilidades hoje. São elas:

  • Preparar e corrigir o exame para CPA (contador público certificado dos Estados Unidos).
  • Estabelecer o Código de Conduta Profissional, o código de ética para CPAs
  • Redigir normas de auditoria para empresas de capital

 

Conselhos estaduais de contabilidade dos Estados Unidos

O conselho estadual de contabilidade de cada estado dos Estados Unidos regula quem pode fazer o exame para CPA, além das exigências de experiência e educação continuada para licenciar aqueles aprovados no exame. As regras variam de um estado para outro, então é importante verificar informações atualizadas junto ao conselho estadual de contabilidade no estado em que o candidato espera ser licenciado. Normalmente, as licenças de CPA são recíprocas. Muitos estados exigem 150 horas de educação formal para fazer o exame, embora outros permitam que os postulantes façam o exame com menos horas. Porém, uma licença obtida em um estado que aceite menos de 150 horas de estudos formais normalmente não é transferível para outro com uma exigência de 150 horas.

PRINCIPAIS PONTOS DO CAPÍTULO

Aprender sobre auditoria é similar a aprender uma nova língua. Ao final do livro, você conseguirá se comunicar nela. Cada capítulo ampliará seu conhecimento sobre a área especializada da auditoria. Finalmente, todas as peças que você terá aprendido se encaixarão, formando um conjunto de conhecimentos coerente e necessário para que você se torne um(a) auditor(a). No final de todo capítulo, você encontrará uma lista de afirmações que resumem as peças do quebra-cabeça discutidas durante o capítulo. Analise cada uma enquanto lê o capí- tulo para verificar se você compreende os conceitos importantes que ele apresenta. Muitos deles serão repeti- dos em diversos capítulos. Você não compreenderá a história até ter todas as peças que a formam, então é importante que domine os conceitos de cada capítulo antes de prosseguir ao seguinte – um novo capítulo amplia os conhecimentos adquiridos nos anteriores.

Este livro foi criado de modo a mesclar a teoria e as aplicações práticas dos procedimentos de auditoria; então, alguns capítulos enfatizarão conceitos relativos à teoria e outros, às aplicações práticas. Ao final do livro, você deverá ter uma boa ideia de como conduzir uma auditoria (quais procedimentos realizar), além de compreen- der os “porquês” da auditoria (por que realizá-las, por que as entidades externas dependem de suas informa- ções, por que uma firma de auditoria independente deve realizar a auditoria em vez de um profissional da área da própria empresa, por que o auditor deve usar amostragem no processo de auditoria). À medida que você apreender a teoria que fundamenta a auditoria e os passos a ela associados, deverá avaliar de forma mais apurada as responsabilidades do auditor e compreender a importância de realizar esse trabalho usando ceti- cismo profissional e a norma do zelo profissional.

Este capítulo apresentou os seguintes fatos importantes:

  • A relevância da auditoria no processo de governança corporativa. O papel singular exercido pelos auditores serve para proteger os interesses de entidades

 

 

  • Algumas das características singulares da profissão de
  • O papel dos incentivos da administração para gerar distorções nas demonstrações financeiras na
  • O uso de Normas de Auditoria Geralmente Aceitas (GAAS) para realizar uma
  • Os importantes conceitos de zelo profissional devido, ceticismo profissional e segurança razoável no processo de
  • O papel das evidências no processo de auditoria, incluindo testes substantivos de transações, testes substantivos de balanços, procedimentos analíticos e testes de controles internos.
  • A importância de realizar a auditoria por meio do uso de processos de negócio.
  • As asserções feitas pela administração em relação às demonstrações financeiras e o seu papel na obtenção de evidências.
  • As informações contidas em um relatório de
  • A importância das agências reguladoras de

Certifique-se de ter compreendido esses conceitos antes de prosseguir a leitura.

 

PERGUNTAS DE REVISÃO

  1. Explique o papel do auditor no processo de governança Ele é mais importante ou menos importante hoje do que há 20 anos? (OA1.4)
  2. O que o processo de auditoria envolve? (OA1.1)
  3. Como a relação entre agente e principal se aplica ao processo de auditoria? (OA1.1)
  4. Descreva as três organizações normatizadoras envolvidas na redação de normas de auditoria e os papéis de cada uma delas no estabelecimento de diretrizes para os (OA1.5)
  5. O que são evidências? Como o auditor as utiliza no processo de auditoria? (OA1.6)
  6. Como o auditor obtém evidências usando os testes de controles internos? (OA1.6)
  7. Como o auditor obtém evidências usando testes substantivos? Descreva três tipos de testes (OA1.6)
  8. O que são classes de transações? Quais outros termos podem ser usados para descrevê-las? Como o au- ditor usa o conceito de classes de transações no processo de auditoria? (OA1.7)
  9. O que são testes de saldos de balanço? Como são usados no processo de auditoria? (OA1.6)
  10. Descreva as asserções da administração em relação às demonstrações (OA1.8)
  11. Explique como o relatório de auditoria é usado para descrever as responsabilidades do auditor e da admi- nistração e o trabalho realizado pelo auditor durante a auditoria e nas conclusões tiradas pelo auditor no que diz respeito às demonstrações financeiras que estão sendo (OA1.9)
  12. Quais são as várias agências que regulam a profissão de auditor? Descreva as funções de cada uma (OA1.10)
  13. Como você descreveria a profissão de auditor para um amigo? Cite pelo menos um elemento da profissão que lhe Cite outro elemento que seja menos interessante e explique por quê. (OA1.1)
  14. Descreva o incentivo da administração para gerar distorções nas demonstrações Qual desafio os auditores enfrentam ao analisar tais distorções? (OA1.3)

PROBLEMA DE AUDITORIA APLICADA

  1. Depois de ser condenada por um crime relacionado à falha na auditoria da Enron, a Arthur Andersen fe- chou suas portas em agosto de 2002 porque não podia mais arquivar relatórios de auditoria junto à Em 2005, a condenação foi anulada devido a erros procedimentais nas instruções que o juiz deu ao júri. Você acredita que foi justo que as firmas da Arthur Andersen em todo o mundo tenham sido forçadas a

 

 

fechar as portas em decorrência de uma falha de auditoria em Dallas, Texas, Estados Unidos? Explique sua resposta. (OA1.2)

TAREFAS NA INTERNET

  1. Visite os sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e do Conselho Federal de Contabilidade. Analise as informações que eles fornecem e aponte os profissionais que poderiam estar interessados (OA1.1)
  2. Visite o site de uma de suas empresas Descreva as informações financeiras contidas ali. Há algu- ma sobre governança corporativa? Quem é o auditor da empresa? A empresa recebeu uma “opinião lim- pa” sobre suas demonstrações financeiras? (OA1.2)
  3. Analise o site de uma das quatro firmas de auditoria chamadas de big four (Deloitte & Touche, KPMG, PricewaterhouseCoopers ou Ernst & Young) que atuam no Descreva as informações que ele apre- senta relacionadas às carreiras na área de auditoria independente. (OA1.4)

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